Retiro desperta o tesouro dos corações humanos

O evento realizado em Aquiraz, entre 11 e 13 deste mês, visa contribuir o crescimento espiritual

Compreender suas próprias confusões para mudar a percepção do mundo, de maneira a transformar os problemas em desafios que contribuirão para o crescimento pessoal. A mensagem será trabalhada pela monja Ani Zamba Chözom, em retiro espiritual que acontece entre os dias 11 e 13 de março, no Osheanic International, em Aquiraz, sob o tema “Revelando o tesouro do seu coração”.

Com 46 anos de estudos da tradição budista, Ani Zamba foi uma das primeiras mulheres ocidentais a receber uma ordenação monástica. Há mais de 40 anos é Gelongma, a mais alta ordenação para uma monja budista. Em 1969 mudou-se para a Índia, onde manteve contato com os principais mestres daquele período, como o próprio Dalai Lama, sentindo-se influenciada pelos seus exemplos de vida.

“Fui inspirada por aqueles exemplos vivos de sabedoria e compaixão e me dei conta de que aquilo era algo especial do qual eu também queria viver. Fui guiada pelos maiores mestres do último século, de diferentes tradições, não só do budismo tibetano, mas também chinês, japonês, tailandês e coreano. Tive uma oportunidade de estudar várias linhagens do budismo, todos são baseados em abordagem psicológica para se compreender os processos mentais. Porque o budismo não é uma religião, é a ciência da mente, todos os ensinamentos são métodos úteis para se compreender os processos mentais”, conta.

Ao ser requisitada pelos próprios mestres a compartilhar os ensinamentos com outras pessoas, Ani Zamba continuou sua jornada trabalhando com problemas sociais em diversos países. Na Índia, contribuiu com Madre Teresa de Calcutá no cuidado com os doentes terminais e desabrigados. No Camboja, atuou em campos de refugiados e, na Tailândia, voltou-se para a recuperação de usuários de drogas.

Ani-Zamba

 

Tradição

Sobre os problemas enfrentados pelas pessoas ao redor do mundo, a monja comenta que a tradição budista, em geral, considera que todo tipo de sofrimento vem, principalmente, da confusão mental e não, necessariamente, de questões externas. Os fatores são causas secundárias e sofrimento e não as causas principais de sofrimento. “O que nós vemos, no presente, é apenas nossa própria interpretação do que nós achamos que nós vemos, mas não necessariamente é o que, de fato, está acontecendo. Essa confusão cria uma distorção nas nossas percepções e motiva nossas ações, que podem produzir resultados negativos. Na contemporaneidade, as pessoas não sabem como se comunicar, no sentido de que não querem compreender o ponto de vista do outro, porque já se decide, a priori, que o ponto de vista do outro é inválido e, assim, a comunicação se quebra e resulta em conflitos e guerras”.

Atualmente, morando no Brasil, a visão de Ani Zamba está direcionada para um projeto em Minas Gerais, chamado Ati Ling, onde ela está planejando construir um centro de retiros de meditação, como uma forma de acordar os potenciais humanos por meio de estudos, contemplação e práticas.

Durante o retiro que realizará em Fortaleza, Ani Zamba apresentará às pessoas a oportunidade para que tenham contato com o conhecimento, permitindo perceber que o que você tem é a resposta para sua busca. “Primeiramente, é preciso mudar as atitudes, os sistemas de valores. As pessoas acreditam que a resposta para o que procuram vem de algo externo. Por isso tentam controlar todas as condições externas e circunstâncias para que tenham prazer e felicidade, já que não querem lidar com o desconforto. Dessa forma, estão sempre à procura de algo diferente. Mas aqui nós dizemos que você já tem o que procura, só não consegue enxergar e se conectar com o que já se tem”, explica.

A intenção dos ensinamentos é fazer a pessoa perceber a beleza interior nos próprios corações, de modo que tenha cada vez mais segurança para olhar para dentro de si, ao invés de olhar para fora o tempo inteiro. “Você diz que não possui alguma coisa, mas se a tivesse seria mais feliz, contudo isso não é de fato verdade. Se parar para examinar, nunca é o bastante. Mas se substituir a própria percepção, começa a ver que já possui o tesouro que tanto procura. Então, eu estou apresentando às pessoas a possibilidade de ter infinitas possibilidades. Não é preciso viver com as percepções. Tudo é possível a qualquer tempo e depende de como você pensa e interpreta o que está acontecendo na sua vida”, diz

Mais informações

Facebook.com/anizambafortaleza

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