Batemos um papo com o humorista Victor Alen

O Ceará já é conhecido como o berço de grandes profissionais do humor. Uma lista que tem referências como Chico Anysio, Tom Cavalcante e Tiririca, cada qual conhecido por seus estilos. O próprio Chico fez apresentações ainda em 1969 que, hoje, são conhecidas como comédia Stand UP, ou comédia em pé, um humor que vem crescendo cada vez mais, ganhando espaço em teatros, casas de shows bares e restaurantes. A aceitação do público e a demanda por bons momentos que te façam sorrir e ver com mais leveza algumas situações do cotidiano abriram portas pra novos – e já conceituados – profissionais como Victor Alen.

Dono de um estilo que mescla a percepção do humor no nosso cotidiano, a sátira de si, o lado factual e o político, Victor ganha admiração e conquista o público com o timing certo dos textos que ele mesmo produz.

Esse humor verbal, diferente do lúdico (aquele do palhaço, com caracterização) requer dedicação do humorista na criação de um bom conteúdo dos roteiros que escreve, ás vezes, em parceria com outros profissionais e é sobre isso que Victor Alen conversa com a gente na entrevista a seguir.

O humor, ao longo dos anos, vem se modificando e se adaptando a novas leis e a uma sociedade mais crítica. Por exemplo; em seriados como Os Trapalhões haviam piadas sobre negros, loiras e portugueses, comum também em outros programas de tv e livros de piadas da época. Hoje, muitas delas teriam consequências penais. Como é trabalhar cada vez mais fora desses clichês e ter que focar no humor mais inteligente? 

Victor Alen: Olha, sair do lugar comum não é fácil, principalmente pra mim que tive a minha infância toda bombardeada com essas influências, mas por mais difícil que seja, isso é um ótimo exercício. É procurar outros estereótipos e encaixar em situações completamente diferentes pra criar o riso. Não é fácil, mas é super recompensador você criar uma piada com outros conceitos e fazer a platéia gargalhar! É tão gratificante quanto o cachê! (risos)

Qual teu ponto de vista sobre a censura que profissionais do humor passam como o caso do Rafinha Bastos, falta bom senso (não é politicamente correto) ou o humor deve ser sem limites?

Victor Alen: Nasci e cresci numa época onde se alguém tivesse raiva de outra, na escola, e soltasse um palavrão agredindo a imagem da mãe da pessoa, por exemplo, não ia passar disso. Hoje, o mesmo caso poderia parar na justiça. As pessoas ficaram mais sensíveis ao meu ver. Na minha opinião o humorista não pode ter limites, até por que se ele tiver, ele não conseguirá mais criar as associações absurdas que irão arrancar o riso. Claro que existe o bom senso e esse não deve ser desprezado, por exemplo, no episódio do incêndio em Santa Maria na  boate Kiss, todos os comediantes que puderam fizeram questão de divulgar os telefones necessários na tentativa de ajudar e eu não vi nenhuma piada sendo feita pelo tema, pelo contrário os que mais se prestaram a ajudar foram os “polêmicos”  como Rafinha Bastos. Além do que a piada por definição não pode ser nunca levada a sério. Por mais que ela não seja das melhores, uma piada jamais será a visão do comediante.

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Victor Alen por David Capibaribe

Como produção cultural, o humor exerce um papel importante na nossa sociedade fazendo dele, muitas vezes, uma comédia-filosofica principalmente quando relacionado a política. Como você percebe esse poder de comunicação?

Victor Alen: O humor é uma arte, é um elemento cultural e ele pode ser tudo, mas o que ele não pode deixar de ser é engraçado. Então podemos ter piadas de cunho político ou social como também podemos ter de temas banais como novelas e nenhum dos tipos é melhor ou pior que o outro. Em todos os casos o humor só tem uma obrigação, o de fazer rir, entretanto gosto muito de levar a platéia a pensar de outra forma e faço isso no meu show. Tenho momentos de puro entretenimento quanto momentos de crítica social e acho que os dois tem valores importantes.

Além de humorista, você é universitário, sócio de um bar e ensina etnoastronomia como conciliar e fazer tudo com qualidade?

Victor Alen: Não sei! (risos) Minha mente não consegue ficar parada. Eu tenho diversas coisas que eu quero fazer em áreas completamente diferentes, mas que no geral me dá uma visão bem global das coisas. Já estudei mágica, economia, história antiga, cordel e centenas de outras coisas sem conexão nenhuma. Claro que eu tenho minhas prioridades e tento me dividir e me empenhar o máximo nelas, mas o conhecimento pelo desconhecido é algo fascinante pra mim.

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Victor Alen por David Capibaribe

Em sua estréia no humor Stand Up, sua apresentação lotou o teatro do Via Sul. Essa conquista se

deve a que?

Victor Alen: Cara, acho que é uma junção de fatores. Tenho uma carreira de 5 anos que já ajuda bastante e o boca a boca gerado é bem legal, mas além disso tem a divulgação, a imprensa, amigos, enfim muita coisa junta.

Estudos científicos comprovam que sorrir melhora qualidade de vida, elimina tensões e produz endorfina (chamadas de hormônio da felicidade) como você se sente sendo realizador/agente desse bem-estar público?

Victor Alen: é uma sensação única. Poder através de determinadas palavras, em um determinado tempo, com certas expressões faciais levar uma pessoa ao riso e deixar o dia dela menos estressante pra mim é sensacional!

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Victor Alen por David Capibaribe

Como está sendo a pré-produção da apresentação De Orelha em Pé, programada para o dia 31 que será, também, gravação do seu 1º DVD?

Victor Alen: Olha, já fiz vários shows solos, mas nenhum chega perto desse. Estou com um cuidado especial. Parece com a experiência de um filho sabe, mas que diferente da maternidade, você não convida 730 pessoas para a sala de parto. Cada detalhe, cada segundo, cada momento eu estou fazendo para que seja uma memória boa para cada espectador. Por isso que será também a gravação do DVD, afinal um trabalho tão especial merece ser registrado, na minha opinião.

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O que te faz sorrir?

Victor Alen: As coisas que realmente me fazem gargalhar são as mais bestas possíveis, as vezes um simples vídeo ou uma piada besta de um amigo me provoca aquela crise de riso.

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1 Comentário

  1. 2 de agosto de 2015 at 22:15 — Responder

    […] Veja também: Entrevista com Victor Alen […]

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