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  • Ciência Política

O fim da polarização?

  • 25/08/2025
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O desgaste da polarização leva ao amadurecimento político?

Atualmente, em vários países, vimos as sociedades mergulharem em um ambiente de polarização intensa. Não que isso seja uma novidade, mas a massificação trazida pelas redes sociais, reforçada pela mídia tradicional e pelos discursos políticos amplificou esse fenômeno. O clima de “nós contra eles” transformou adversários em inimigos e debates em trincheiras.

Sob um luz, essa lógica, no entanto, sempre revela as fissuras latentes onde dois pontos se destacam:

1. O poder da narrativa: Por essa perspectiva é possível ver que cada lado se organiza em torno de uma história de salvação: ambos acreditam ser os “donos da verdade” e constroem figuras quase messiânicas, vistas como responsáveis por redimir a sociedade.

    2. O desgaste da narrativa. Para uma parcela cada vez mais crescente, a repetição desse jogo “nos contra eles” se esvazia, cada vez mais. Com o passar dos anos, quase que de forma imperceptível, e mesmo oscilando, cresce a percepção de que os polos são “farinhas do mesmo saco”. Isso evidencia, então, uma postura cética, até schopenhaueriana, diante dos políticos. Esse público, frequentemente, se refugia no voto branco, nulo ou na abstenção — não por desinteresse puro, mas por recusa em aderir a um “pacote pronto” de esquerda ou de direita. Há aqui uma distinção importante sobre esse público: debater política é saudável, mas idolatrar políticos e suas narrativas se torna um desgaste insustentável.

          Um olhar sobre os números

          O comportamento das urnas ajuda a visualizar esse processo.

          2018: No segundo turno das eleições presidenciais, a abstenção atingiu 21,30%, o equivalente a 31,37 milhões de eleitores que não compareceram. Os votos nulos somaram 7,43% (~8,61 milhões) e os brancos ficaram em 2,14% (~2,49 milhões). Juntos, os eleitores que não votaram em nenhum dos candidatos, por não comparecer, vetar o voto ou anulá-lo, somaram 30,87% do eleitorado, um patamar historicamente elevado.

          2022: No segundo turno mais recente, a abstenção foi de 20,6% (~32,16 milhões). Os votos nulos caíram para 3,16% (~3,93 milhões) e os brancos foram 1,43% (~1,77 milhão). O total de “não-votos” ficou em aproximadamente 25,19% do eleitorado (~37,86 milhões de pessoas), indicando uma redução em relação a 2018

          A explicação dessa redução específica — num cenário em que, no agregado, o indicador tem crescido — pode ser atribuída ao contexto da época: as heranças emocionais da pandemia, ainda muito presentes no país, e uma eleição conduzida sob forte polarização entre dois atores políticos de reconhecida influência nacional. A disputa assumiu contornos de plebiscito, reduzindo significativamente o espaço para a neutralidade. Assim é visível que, decisões que deveriam ser racionais foram moduladas pela comoção e emoção; e, ainda que esses sentimentos fossem genuínos e assertivos, as narrativas eleitorais souberam se apropriar deles para consolidar parcelas do eleitorado — o que ajuda a explicar por que ambos os lados se percebiam “do lado certo” de forma inequívoca e rumo ao melhor caminho.

          Imagem de dois grupos que tem o mesmo destino em comum

          A questão central aqui não é a decisão genuína da escolha que cada um acha correto — isso é legítimo e deve ser respeitado. O ponto é observar o quanto fatores emocionais se sobrepõem a essas decisões que pedem pra ser racionais e como o fluxo emocional das narrativas conquista adesões a escolhas ilusórias com palavras de virtude não acompanhadas de práticas concretas, e sim promessas vazias. Em ambos os lados, a polarização se alimenta justamente desse marketing da sensibilidade. Analisar esse mecanismo é um passo para não cair na armadilha messiânica e para enxergar os atores políticos como quem deve exercer uma função pública — não um papel idolátrico.

          Por isso, as informações sobre o chamado “insentões”— os “em cima do muro” — revelam um movimento: quando a polarização aumenta, cresce também a recusa às opções postas (brancos, nulos, abstenção). Porém, em momentos de radicalização extrema ancorada em fatores emocionais — como no pós-pandemia —, a pressão para “escolher um lado” empurra parte desses eleitores a se posicionar mesmo sem convicção plena: o impulso do “preciso fazer algo” (mas é emocional ou racional? Ou seja: há um equilíbrio?).


          O crescimento do voto nulo, branco e da abstenção

          Esse cansaço se reflete nas urnas. Não se trata apenas de desinteresse, mas de uma mensagem: uma parcela crescente do eleitorado não se vê representada nos polos nem acredita que um lado ou outro trará mudanças efetivas.

          É possível listar acertos e erros de Lula e de Bolsonaro — e de qualquer outro líder. A política reflete a evolução da própria sociedade; por isso, discutir com quem idolatra um político costuma ser custoso e, muitas vezes, infrutífero: a conversa deixa de ser sobre políticas públicas e vira defesa de um ídolo ou de uma ideologia que, independentemente do lado, se considera a única correta.

          O ponto central é que, quando posições estão enraizadas no emocional, raramente migram para a esfera racional. Viram temas sensíveis porque desafiam a dissonância cognitiva e tocam valores e identidades. Mas não precisa ser assim: assuntos complexos não precisam ser traumáticos. É preciso desassociar a própria identidade do candidato, enxergá-lo como agente político — responsável e falível — e não como extensão de si.

          Tomando os dados de votos brancos e nulos nas presidenciais, da redemocratização até 2018, aparece esse padrão: quando a polarização se acentua, cresce também a recusa às opções postas — sobretudo via voto nulo. Em 2018, por exemplo, registrou-se o recorde no 2º turno, com 7,43% de nulos e 2,14% de brancos (no 1º turno, 6,14% de nulos e 2,65% de brancos). O salto de nulos entre 2014 e 2018 — de 4,63% para 7,43% no 2º turno — ilustra esse movimento. Não é uma relação mecânica (há pleitos sem picos), mas os marcos de 1989 e 2018 sugerem que, em momentos de disputa mais intensa, os votos nulos se intensificam.

          Esse crescimento de abstenções e votos nulos pode ser interpretado como sinal de amadurecimento social. Ele expressa o reconhecimento de que a política, tanto na forma como tem sido conduzida pelos políticos quanto na maneira como é assimilada pela sociedade, não responde plenamente às necessidades reais. Nesse contexto, o voto nulo ou a abstenção deixam de ser um ato meramente de protesto para se tornarem um sintoma: a recusa em legitimar o jogo polarizado que reduz a complexidade social a um embate entre lados, quando o que se busca é uma política voltada de fato ao coletivo.

          Vale dos Insentões


          Em 2001 – durante a campanha política – , quem percebeu com clareza esse “vale dos isentos” — o eleitor indeciso, cético ou cansado da polarização — foi Duda Mendonça, marqueteiro de Lula. Ao investir em uma narrativa – emocional – de confiança e moderação, Lula conseguiu atrair justamente essa fatia do eleitorado, que foi decisiva para sua vitória. A estratégia reconhecia que os indecisos não eram apenas uma massa amorfa, mas um público estratégico, sensível a uma mensagem de saída da disputa binária.

          O mesmo não ocorreu em 2022. Nem Lula, nem Bolsonaro direcionaram esforços consistentes a esse grupo, que quatro anos antes havia registrado o seu maior pico. A disputa tornou-se um duelo plebiscitário, absorvendo quase toda a energia em torno de duas figuras políticas e deixando de lado a fatia cética do eleitorado.

          O resultado foi uma eleição extremamente acirrada: Lula venceu com 50,90% dos votos válidos (60.345.999 de votos) contra 49,10% (58.206.354) de Jair Bolsonaro — uma diferença de 2.139.645 devotos. Nessa mesma eleição, registraram-se 1.769.678 votos em branco (1,43%) e 3.930.765 nulos (3,16%), somando 5.700.443 votos inválidos (4,59% do total de votos), o que só aí, caso esse contingente, se mobilizado, teria sido suficiente para alterar completamente o quadro: poderia ampliar a margem de um candidato ou mesmo garantir a vitória do outro, a depender da forma como fosse trabalhado por suas equipes. Além disso, as abstenções alcançaram mais 32.200.558 eleitores (20,59% do eleitorado)

          Porém, ambos os lados estavam tão mergulhados na lógica da polarização que deixaram de enxergar essa fatia considerável do eleitorado — justamente a mesma que, em 2018, havia atingido o maior pico desde 1989. O emocional predominou sobre a racionalidade estratégica.

          A abstenção consciente é uma forma de manifestação política e de exercer a liberdade individual — porém, na cultura brasileira, ainda predomina a ideia de que quem não vota está “em cima do muro”, quase como se fosse um traidor da democracia. Essa visão distorce o fato de que a abstenção, o voto nulo ou o branco são, também, expressões plenas de cidadania.

          Esse público tem motivos diferentes, mas começaram a perceber que a polarização pouco resolve o que, de fato, precisa de atenção. Ao contrário, descola a política da essência do seu campo pra se aproximar de uma torcida de futebol, amplia ressentimentos e bloqueia soluções. Discussões em torno de político passaram a gerar mal-estar, a ponto de muitos evitarem o tema em reuniões familiares ou rodas de amigos. Um clima que reforça o efeito social político: a descrença.

          Quando cada lado se fecha em sua narrativa, a verdade, a conversa sobre política passa a importar menos do que a lealdade ao político. O assunto vira espetáculo, mas não se traduz em melhoria de vida concreta. É nesse ponto que muitos concluem: não faz sentido entrar nessa briga.

          Com a máquina na mão

          Um elemento central da polarização, para compreender o cenário eleitoral brasileiro, é o peso de quem disputa a reeleição “com a máquina na mão”. A expressão não é mero jargão político: ela traduz a realidade de candidatos que, estando no poder, dispõem de recursos institucionais, visibilidade midiática e redes de influência capazes de moldar o processo eleitoral de maneira desproporcional.

          Isso se manifesta em várias frentes:

          O ambiente de trabalho. É notório como empregadores — seja em empresas privadas com forte dependência de contratos públicos ou em cargos comissionados — podem insinuar que a continuidade do emprego está associada ao “renovar” o político no cargo. Não se trata, necessariamente, de coerção explícita, mas de uma forma velada de pressão estrutural, que afeta diretamente a liberdade de escolha.

          A mídia institucionalizada. O poder de pautar, aparecer ou se associar a realizações de governo é, na prática, uma vitrine gratuita, ainda que disfarçada de mera prestação de contas. A linha entre comunicação pública e propaganda política, especialmente em anos eleitorais, torna-se tênue.

          A influência nos territórios. Prefeitos, vereadores, líderes comunitários e outros atores locais podem se tornar instrumentos de pressão indireta sobre o eleitorado, principalmente em regiões onde a dependência de programas estatais ou de empregos vinculados ao setor público cria uma relação assimétrica de poder.

          traduz em melhoria de vida concreta. É nesse ponto que muitos concluem: não faz sentido entrar nessa briga.

          A Particularidade Brasileira: Voto Obrigatório

          Diferente de países como os Estados Unidos, o Brasil adota o voto obrigatório. A lógica dessa obrigatoriedade foi historicamente apresentada como uma forma de:

          1. Garantir representatividade, evitando que apenas uma elite politicamente ativa decidisse os rumos do país.
          2. Reforçar a cidadania, transformando o ato de votar em um dever cívico, equiparado ao serviço militar ou ao pagamento de impostos.
          3. Consolidar a democracia, especialmente após períodos de instabilidade institucional, como forma de legitimar governos pela alta participação popular.

          Há, sem dúvida, benefícios nesse modelo: um nível de participação mais homogêneo e a inclusão de camadas da população que, em sistemas facultativos, tenderiam à abstenção sistemática.

          Por outro lado, o voto obrigatório traz contradições importantes. Se “o voto é livre”, por que não é igualmente legítimo escolher não votar? A abstenção consciente poderia ser entendida como uma forma de manifestação política — e, no entanto, na cultura brasileira, ainda predomina a ideia de que quem não vota está “em cima do muro”, quase como se fosse um traidor da democracia. Essa visão obscurece o fato de que a abstenção, o voto nulo ou o branco são, também, expressões plenas de cidadania.

          Quando o fim da polarização exercerá a lógica dominante?

          À medida que cresce esse eleitorado desencantado, ganha força uma ideia: o fim da polarização não virá de uma vitória esmagadora de um dos lados, mas da fadiga coletiva que torna o conflito irrelevante. Em outras palavras, não é um lado que vencerá o outro; é a lógica da briga que perderá sentido, cada vez mais.

          Esse processo pode abrir espaço para alternativas políticas menos extremadas, mais pragmáticas e orientadas para problemas reais. Pode também estimular novas formas de participação cidadã, fora do ciclo eleitoral tradicional.

          O amadurecimento em curso

          O aumento dos votos nulos, brancos e da abstenção não é apenas sinal de descrença; é reflexo de uma sociedade que percebeu o custo da polarização e busca uma saída. O desgaste das trincheiras ideológicas pode ser lido, paradoxalmente, como um passo de amadurecimento social: a recusa a continuar brigando por narrativas enquanto problemas concretos permanecem sem solução.

          O futuro político, nesse cenário, pode ser moldado não pela radicalização, mas pela desradicalização — pela demanda silenciosa de milhões de pessoas que já não aceitam ser reféns de um jogo de extremos que só divide, mas não transforma.

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