Às vezes, para entender o brilho de uma coroa, é preciso enxergar o caminho até ela — feito de tentativas, falhas, dúvidas, acertos, disciplina, foco e persistência — antes do instante em que faixa e o buquê simbolizam a consagração da vitória. É desse lugar que nasce o convite ao leitor: olhar com mais generosidade para quem se dispõe a ser avaliado em público e transformar desafios em inspiração e coragem.
Na fase preliminatória, com entrevista sobre projetos sociais, pronunciamento na ONU e perguntas em inglês, surgiu uma questão crucial: como lidar com críticas em tempos de redes sociais? Às candidatas, deixo um conselho, que se estende além do concurso: quem julga pode optar olhar o superfícial ou buscar profundidade, isso confessa a própria capacidade, daquele que critica, de encarar-se. Cada comentário confessa aptidão — ou não — para enxergar além do óbvio, em si e no outro, e para atribuir sentido ao “conjunto da obra” que se apresenta: como disciplina, força, garra; deixar a cidade natal, viajar ao desconhecido, encarar a solidão mesmo entre colegas; incômodos além dos calos nos pés, a disputa social, a competitividade inata, o conflito emocional, o desconforto de um dia inteiro de salto; semanas longe de casa e meses de preparação. Medo e mãos trêmulas existem — e é justamente aí que abre-se o espaço pra coragem que supera o nervosismo e o temor do julgamento: o coroamento de uma conquista pessoal e intransferível. Tudo isso com um sorriso no rosto, enquanto o peso de um município, estado ou país já torna-se leve diante de quem encontrou a própria inteireza. Crítica sem vivência, ainda que travestida de zelo, carece de legitimidade.
Por isso, todo concurso pode ser um convite — não apenas ao palco, mas ao encontro consigo mesmo, para quem participa e para quem contempla. É pausar para reconhecer desafios superados à vencedora, e aplaudir também quem não leva o título, por ter lutado por algo grandioso, enquanto nós como espectadores assistimos sentados. É um chamado a revisitar a própria história, mais do que ecoar comentários atrás de uma tela; a reconhecer quem expõe o rosto e transforma desafio em disciplina, medo em coragem para brilhar, perseguir conquistas e inspirar. Cada uma a sua maneira, real e única.



Sob esse pano de fundo, a final do Miss Brasil Terra em Fortaleza ganha contornos mais nítidos: uma campeã que carrega trajetória e propósito, um palco pensado para emocionar, e um elenco que evidencia o nível da disputa.
Laila Frizon venceu representando o Rio Grande do Sul, mas é paranaense de nascimento — natural de Palotina (PR). Biomédica com atuação em estética, ela soma formação técnica, trabalho de consultório e experiência em concursos. Com a coroa, assume o papel de porta-voz de iniciativas socioambientais e segue para representar o Brasil no Miss Terra, previsto para novembro, nas Filipinas.

A noite de coroação ocorreu no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, com transmissão televisiva e prêmio em dinheiro à vencedora. A produção apostou em cenografia de impacto, passarela ampla e ritmo de show, sob a direção artística de Guilhermino Benevides, alinhando espetáculo e avaliação técnica — oratória, presença de palco e coerência com o eixo ambiental da franquia.

Entre os destaques, a cearense Adelina Castro — Miss Ceará Terra, natural de Limoeiro do Norte (CE) — brilhou diante da torcida local e terminou como vice-campeã, ampliando sua projeção. Ficam os parabéns a todas as candidatas pela entrega, à organização pela condução, e à equipe artística pela qualidade visual do evento: um encontro entre preparo, propósito e emoção.
David Capibaribe