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  • Ciência Política

Amadorismo Maquiavélico

  • 02/09/2025
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Amadorismo Político do Tempo Analógico

Nicolau Maquiavel, em O Príncipe (1513), expõe com clareza o valor do controle coercitivo e do uso estratégico da força como elementos de governo. Em suas palavras: “É muito mais seguro ser temido do que amado, quando se tenha de carecer de uma das duas” (Cap. XVII). Mas esse movimento que insiste em operar com as lógicas e mecanismos de um mundo medieval, imerso em um universo digital, sobrevive? Essa prática tenta sustentar sua legitimidade por meio de prerrogativas herdadas de um tempo em que a comunicação era lenta, controlada e, em grande medida, filtrada pelas estruturas de poder ainda faz sentido?

No universo de Maquiavel, de comunicações demoradas e de limitada circulação de informação, fazia sentido imaginar o poder como um espaço delimitado, onde o soberano poderia conter, ainda que não plenamente, os comportamentos sociais. O medo, a autoridade e o monopólio da força eram alicerces possíveis e eficazes para sustentar governos.

Porém Maquiavel escrevia a partir de um contexto muito específico. O Príncipe foi redigido no início do século XVI, durante seu exílio em Sant’Andrea, após ser afastado de suas funções políticas na República de Florença. A Itália daquele período era uma península fragmentada em cidades-Estado rivais, constantemente ameaçada por invasões físicas estrangeiras (França, Espanha, Sacro Império Romano-Germânico).

Esse ambiente urbano em que Maquiavel viveu estava longe de qualquer padrão moderno de organização social: as ruas eram insalubres e sujeitas a epidemias frequentes, e as concepções de saúde ainda estavam presas a práticas rudimentares, muitas vezes ligadas à astrologia ou à medicina hipocrática. Nesse cenário, o pensamento político se voltava menos para o bem-estar coletivo no sentido moderno e mais para a sobrevivência imediata da ordem social e da autoridade do governante.

Portanto, é a partir dessa realidade que Maquiavel faz sua análise reduzida à lógica do poder cru — força, medo, astúcia, dobrar a aposta — como mecanismos de contenção em um espaço-tempo de fragilidade institucional e precariedade social.

Dobrando a aposta: All-in em um jogo obsoleto

O destino de quem seguiu Maquiavel “ao pé da letra”, aplicando fielmente a lógica do medo, ou tudo ou nada, e do uso da força estatal de forma injusta e bruta como base do poder acabaram, em grande parte, caindo de forma trágica.

Richelieu conseguiu centralizar a França, mas sua memória é marcada por intrigas e pela imagem de manipulação cruel. Napoleão, apesar de ter construído um império fulminante, terminou derrotado, exilado e humilhado. Mas um dos exemplos mais emblemáticos na história recente foi Benito Mussolini, um governante declaradamente “maquiavélico”, terminou linchado em praça pública em 1945, exposto em praça como um aviso histórico contra o abuso do poder.

    O que se percebe, portanto, é que a aplicação da lógica maquiavélica — ser temido, manipular, subjugar, dobrar o ataque — jamais garantiu perenidade. Em curto prazo (às vezes anos), a tirania pode até desfrutar de um auge, mas, em longo prazo, ela é corroída por sua própria rigidez. É a hubris — a arrogância desmedida que cega o governante e o faz acreditar que seu poder é absoluto — que prepara inevitavelmente sua queda.

    E quando esse momento chega, os mesmos que antes aplaudiram no auge passam a expulsar e a expurgar aquele líder, relegando-o à história não como protagonista, mas como simples peça de um jogo maior. O que, constantemente, deixa claro que, nunca foi detentor de um poder próprio e absoluto: era apenas um elemento descartável, usado enquanto servia, e depois abandonado como ruína de sua própria ilusão de grandeza.

    Não por acaso, o destinatário do manuscrito Dos Principados, a quem Maquiavel em vida buscou se oferecer como conselheiro — Lourenço II de Médici, em Florença — já teve sua influência limitada. Dos Principados, que mais tarde se tornaria O Príncipe, havia sido dedicado justamente a Lourenço como uma forma de reconciliação e tentativa de reinserção política de Maquiavel após sua queda em desgraça, quando em 1512 foi afastado da chancelaria de Florença, acusado de conspiração, preso e torturado com a volta dos Médici ao poder

    Ponto histórico: de Maquiavel à Revolução Francesa

    Se Maquiavel via a força e o temor como instrumentos indispensáveis para a estabilidade do governo, a Revolução Francesa rompeu com essa lógica ao colocar em seu lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”. O absolutismo, sustentado por séculos de coerção, foi derrubado em nome de um novo paradigma: o poder como expressão da vontade do povo.

    Esse contraste deixa claro que a visão de Maquiavel estava enraizada em um tempo limitado, no qual o poder se resumia a sobreviver em meio ao caos e conter comportamentos sociais pela força. A história mostrou, entretanto, que novas formas de organização política — mais plurais, abertas e orientadas à cidadania — emergiram justamente da superação dessa rigidez. E ela permanece em constante evolução, mesmo que surjam por vezes tiranos, que, no final, acabam servindo como um ponto de inflexão, um degrau para a evolução e a certeza do que, como sociedade, não queremos mais e não aceitaremos.

    Eugène Delacroix -La liberté guidant le peuple

    A Ruptura Digital

    Essa lógica se mostra ainda mais anacrônica no cenário atual. Vivemos em uma era plural, hiperconectada e de circulação instantânea de ideias em escala mundial. Não há mais como conter fluxos de informação nem se apoiar em uma rigidez que se pretende universal. O poder que tenta manipular sob o pretexto do “bem social” acaba frequentemente se revelando como um uso ilegítimo de mecanismos legítimos — não em nome do povo, mas em benefício de interesses particulares.

    Essa prática não é nova: atravessa a história como uma constante. Antes, imperadores usavam a autoridade divina e a força das legiões como justificativa de dominação; depois, reis sustentaram seus tronos em narrativas de direito hereditário; a Igreja transformou a fé em instrumento de coerção e disciplina coletiva; já na modernidade, o poder caiu no colo de presidentes e políticos, muitas vezes servindo a projetos pessoais em detrimento do bem comum; e hoje vemos essa lógica ecoar até mesmo no judiciário, quando sua função primordial de guardião da lei é deturpada em prol de interesses corporativos, ideológicos ou de protagonismo político.

    Essa linha de continuidade revela que, embora mudem os atores, a tentação de instrumentalizar instituições legítimas para fins próprios permanece. O que se altera é o ambiente. A pretensão de aplicar táticas de contenção e coerção herdadas de um passado analógico — e até medieval — encontra-se agora em um mundo digital, sem fronteiras, instantâneo e impossível de conter. Se antes era possível manipular informações por meio de censura, monopólio da escrita ou controle da imprensa, hoje vivemos em um universo aberto, em que qualquer tentativa de controle não apenas se revela improvável, mas tende a se voltar contra quem busca exercê-lo.

    Trata-se de uma forma clara de amadorismo político: insiste-se em fórmulas esgotadas, incapazes de compreender e dialogar com a realidade moderna. Antigamente, derrubar um tirano exigia décadas, conflitos armados, guerras civis e milhares de mortes; já na era digital, um impeachment pode ser deflagrado em questão de meses — quase num “clique” — quando o povo se organiza e ocupa as ruas, como ocorreu na Primavera Árabe (2010–2012), quando manifestações organizadas por meio de redes sociais derrubaram regimes autoritários na Tunísia, Egito e Líbia, além de desafiar ditaduras na Síria e em outros países do Oriente Médio; na renúncia de Hosni Mubarak, no Egito (2011), após 30 anos no poder, simbolizando a força da mobilização digital global em derrubar líderes antes considerados “intocáveis”; O impeachment de Fernando Lugo no Paraguai (2012) e de Pedro Castillo no Peru (2022), ambos acelerados pela pressão popular amplificada digitalmente; As manifestações na Ucrânia (Euromaidan, 2013–2014), que levaram à queda do presidente Viktor Yanukovych, mobilizadas em grande parte por articulações online e pela circulação viral de informações; no Brasil com Dilma Rousseff (2016) e no movimento de protestos em Hong Kong (2019–2020), organizado via aplicativos e redes descentralizadas, que desafiou o controle do Partido Comunista Chinês..

    A ruptura digital traz, portanto, uma nova nuance: tiranos, politicos, conscientes da fragilidade de seus métodos antigos, tentam se atualizar criando regras artificiais de controle sobre as redes sociais. É verdade que ter redes digitais que respeitem leis é importante — e essas leis já existem no mundo real e devem ser aplicadas para a esfera digital. O risco está no subterfúgio: usar o discurso do “bem comum” ou da “proteção das pessoas” como justificativa para impor regulamentações que, na verdade, buscam coibir a liberdade de expressão, especialmente quando voltada a críticas aos governos.

    A história mostra que essa lógica é antiga: em cada época, o poder tentou sufocar a voz crítica da sociedade — seja queimando livros, censurando jornais, prendendo opositores ou, agora, tentando regular algoritmos pra calar. A roupagem muda, mas a intenção de controle se repete, sempre com a mesma máscara do paternalismo coercitivo.

    O Peso do Passado

    A rigidez de quem enraizou ideologias e comportamentos com base em uma concepção obsoleta torna incompreensível a nova realidade. Olhar o presente com as lentes do passado gera miopia política. A História mostra que estruturas que não acompanham as mudanças da sociedade se tornam, em algum momento, ruínas do próprio tempo.

    O amadorismo político, portanto, é a insistência em se agarrar a um poder fundado no medo, na contenção e na coerção, quando o que se exige hoje é inteligência política: a capacidade de governar em meio à complexidade, respeitando a liberdade individual como pedra angular do novo contrato social.

    O Príncipe 2.0

    Se antes o poder se ancorava em cercas, fronteiras e restrições, hoje ele só se torna sustentável quando reconhece a autonomia das pessoas e a multiplicidade de vozes. O desafio do governante moderno não é conter, mas articular; não é dobrar o mundo ao seu controle, mas assumir que a pluralidade é a condição irrevogável do nosso tempo.

    O “novo príncipe” que emerge nesse contexto não é mais aquele que aposta no medo ou na dobradiça da força. Ao contrário, sua legitimidade nasce da capacidade de desempenhar o papel de governante em consonância com a função pública: agir sempre em benefício do povo e tendo como fundamento a liberdade individual.

    O governante contemporâneo precisa ter consciência clara de onde esbarra o limite legítimo do uso da força e do poder estatal — reservado apenas ao que é realmente grave, urgente e necessário — em vez de se apoiar em narrativas que já não colam no consciente coletivo. Essa compreensão do limite, até onde o Estado pode e deve intervir, é uma atualização necessária, que deve ter seu upgrade construído sob a ótica do que já foi excedido, do que não funcionou e do que pode ser melhorado em termos de política, sociedade e uso equilibrado do poder legislativo, judiciário e executivo. Sempre para o povo, e não como ferramenta de manipulação para implementar ideologias rejeitadas pela sociedade.

    Nesse sentido, observa-se que “o príncipe” se distancia cada vez mais das figuras inatingíveis do passado — faraós egípcios, sultões, imperadores, reis ou príncipes — e se aproxima muito mais da imagem de um administrador eficiente: alguém que cumpre bem a sua função ou, em caso de falha, de hubris ou de extrapolações recorrentes de seus limites e responsabilidades, é simplesmente descartado num clique.

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