Tesla perde participação nos EUA: fatia cai a 38% em agosto de 2025 — causas, impactos e o que vem pela frente
A participação da Tesla no mercado de veículos elétricos (EVs) dos Estados Unidos caiu para 38% em agosto de 2025, o menor nível em quase oito anos e a primeira vez abaixo de 40% desde outubro de 2017, segundo dados preliminares da Cox Automotive divulgados à Reuters. O recuo ocorre enquanto rivais aceleram lançamentos e ofertas, às vésperas do fim dos créditos federais para EVs no país.
Participação de mercado da Tesla nos EUA em 2025 (38%): por que caiu
O encolhimento da fatia da Tesla acompanha um boom temporário de vendas de EVs até setembro, impulsionado pela corrida para aproveitar o crédito federal, e ofertas agressivas de marcas como Hyundai, Kia, Toyota e Honda, que cresceram de 60% a 120% em julho com incentivos mais altos do que os da Tesla. Em agosto, as vendas da Tesla subiram apenas 3,1% enquanto o mercado de EVs avançou 14% — o que, na prática, significa perda de terreno
“Quando você é uma montadora e deixa de lançar novos produtos, sua participação começa a cair”,
Stephanie Valdez Streaty, diretora da Cox Automotive
Concorrência e portfólio: quem está ganhando terreno
Nos Estados Unidos, a pressão competitiva vem principalmente de marcas coreanas e japonesas (e também de Volkswagen e outros europeus) com novos modelos, financiamentos atrativos e bônus na troca, não de montadoras chinesas (ainda pouco presentes no mercado americano por barreiras tarifárias). O efeito combinado é um trade-down de preço/incentivo que pressiona margens ou participação — um dilema real para a Tesla.
Estratégia: robotáxi e robô humanoide vs. “carro acessível”
Enquanto concorrentes ampliam o line-up, a Tesla direciona foco estratégico para autonomia (robotáxi) e robótica (Optimus), e adiou/cancelou planos de um modelo mais barato no curto prazo. Até o evento de revelação do robotáxi sofreu adiamento de agosto para outubro de 2024, sinalizando que a agenda de produtos de alto volume ficou em segundo plano.
Vendas e produtos: Model Y segue referência; Cybertruck não repetiu o sucesso

O Model Y foi o carro mais vendido do mundo em 2023, um marco que colocou a Tesla no topo do ranking global pela primeira vez; em 2024, análises indicam que ele pode ter sido superado por modelos rivais, refletindo a intensificação da concorrência.
Já o Cybertruck (lançado em 2023) não replicou o desempenho comercial de Model 3/Y, com ramp-up e aceitação mais contidos. No agregado, a empresa caminha para registrar o segundo ano consecutivo de queda nas entregas, segundo reportagens recentes. No 2º tri de 2025, a Tesla entregou 384.122 veículos (queda ante 444 mil do 2T24), reforçando a tendência de desaceleração do negócio automotivo core.
Pacote de remuneração de US$ 1 trilhão para Elon Musk: o que está em jogo
Na última semana, o conselho da Tesla propôs um novo pacote de remuneração que pode chegar a US$ 1 trilhão ao longo de 10 anos, condicionado a metas operacionais e de valor, entre elas elevar o market cap para cerca de US$ 8,5 trilhões. Se aprovado, seria o maior pacote de um CEO já registrado — parte da aposta de que o valor futuro virá de IA, robotáxis e robótica.
Crédito federal para carros elétricos nos EUA expira em 30 de setembro de 2025 (e a regra do “veículo adquirido”)
Com a aprovação da nova legislação, os créditos federais (até US$ 7.500 para novos e US$ 4.000 para usados, além do 45W para comerciais) deixam de valer para veículos “adquiridos” após 30 de setembro de 2025. O IRS esclareceu que “adquirir” significa firmar um contrato vinculante e efetuar pagamento (depósito ou trade-in) até essa data; a entrega pode ocorrer depois, preservando o direito ao crédito. Isso explica a aceleração de vendas até o prazo final.
Perspectivas 2025–2026: sinais para acompanhar

Execução em IA/robotáxi/robótica: caso a Tesla materialize escala nessas frentes, o narrativo de valuation se sustenta; atrasos ampliam o gap competitivo no curto prazo.
Mix de produtos: sem um novo Tesla “acessível”, a elasticidade a preço/incentivo dos rivais tende a pesar na participação.
Fim dos créditos: após 30/09, o setor pode ver retração de demanda e maior pressão de margem — testando estratégia de preço da Tesla e de todo o mercado.